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quarta-feira, 28 de junho de 2017

A catedral é um resumo de todas as artes, a síntese visível da ordem da Criação

Basílica de Nossa Senhora, Cracóvia, Polônia.

Basílica de Nossa Senhora, Cracóvia, Polônia.

A expressão mais completa da arte medieval em França encontra-se na sua arquitetura, nas suas catedrais, onde quase todas as técnicas foram empregadas.
Existiu sem dúvida a arte profana, pois são numerosas as cenas alegóricas ou tiradas da Antiguidade.
Mais numerosos ainda os retratos, os quadros guerreiros, campestres ou idílicos, em que a natureza nunca está ausente.
Mas foi nas suas catedrais que ela pôs toda a sua alma.
Acontece — e não é por acaso — que a arquitetura medieval floresceu mais ainda em França do que em qualquer outra região.


Poucas das nossas aldeias escaparão à presença de algum vestígio dela, sob a forma por vezes muito humilde de um simples pórtico perdido no meio da alvenaria moderna, ou por vezes sob a forma de uma magnífica catedral, desproporcionada em relação à aglomeração que presentemente a circunda.
A serenidade um tanto maciça dos edifícios românicos é realçada por uma decoração agitada e turbulenta, com cenas de grandeza vertiginosa tiradas do Apocalipse, e banhadas ainda de influências orientais.
Uma evolução desta arte deu nascimento ao cruzeiro de ogiva e à arquitetura gótica, da qual o nosso país — exatamente o coração do nosso país, a Ilha de França — talvez tenha sido berço.

Catedral de York, Inglaterra, se inspirou no gótico normando importado da França

Catedral de York, Inglaterra, se inspirou no gótico normando importado da França

O arco em ogiva ia autorizar os nossos arquitetos a todas as audácias e permitir o florescimento perfeito da arte francesa da Idade Média, na sua época áurea dos séculos XII e XIII.
Como mais de uma vez se tem observado, os templos antigos estão ligados à terra: as suas colunas maciças; a absoluta regularidade do seu plano; os cânones que determinam a sua disposição e decoração; as suas linhas horizontais.
Tudo neles se opõe às nossas catedrais, em que a linha é vertical, em que a flecha aponta para o céu, em que a simetria é desdenhada sem por isso comprometer a harmonia, em que por fim as exigências da técnica se aliam com uma facilidade desconcertante à fantasia dos mestres-de-obras.
Quando se examina de perto uma catedral gótica, somos sempre tentados a ver nela alguma espécie de milagre.
Essas colunas que nunca se encontram em rigoroso alinhamento, e contudo suportam o peso do edifício.

Um dos órgãos da catedral de Estrasburgo

Um dos órgãos da catedral de Estrasburgo

Essas abóbadas que giram, se entrecruzam, volteiam e se sobrepõem; essas paredes perfuradas, onde muitas vezes entra mais vidro do que pedra; e enfim o edifício inteiro, maravilhosa síntese de fé, inspiração e piedade.
Nos monumentos antigos, um simples capitel descoberto permite reconstituir um templo inteiro.
No caso de uma catedral gótica, seria impossível reconstituí-la inteira, ainda que se descobrissem dela 70%.
No entanto, apesar dessa aparente desordem, nenhuma obra impõe ao arquiteto mais regras e obrigações do que a construção de uma igreja: orientação, iluminação, necessidades do culto, necessidades materiais provenientes da natureza do solo ou da sua situação, e ainda outras tantas dificuldades, que o mestre-de-obras parece ter quase sempre resolvido com facilidade.
Certas igrejas, como a de Estrasburgo, estão construídas sobre pântanos ou rios subterrâneos.
Outras — por exemplo, as Santas Marias do Mar, ou algumas igrejas do Languedoc — são praças-fortes em que a própria obra deve constituir uma defesa.

(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944

Por: Luis Dufaur

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Oração de São Francisco de Assis Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; Onde houver ofensa, que eu leve o perdão; Onde houver discórdia, que eu leve a união; Onde houver dúvida, que eu leve a fé; Onde houver erro, que eu leve a verdade; Onde houver desespero, que eu leve a esperança; Onde houver tristeza, que eu leve a alegria; Onde houver trevas, que eu leve a luz. Consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois, é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna. Amém