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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Contatos imediatos do terceiro grau

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Em síntese: O filme “Contatos imediatos do terceiro grau” pertence à categoria da ficção científica. Apresenta a aproximação e a aterrissagem de uma nave espacial, que provoca grande espanto entre os homens pelos fenômenos sinistros assim desencadeados, mas que finalmente é portadora de mensagem de paz. Os homens da terra chegam a embarcar-se nela. Assim o filme pretende tranquilizar o público a respeito de habitantes de outros planetas. Todavia o enredo de “Contatos imediatos do terceiro grau” é menos rico em mensagem do que o de “2001. Odisséia no espaço”; este filme abordava questões fundamentais relativas à origem e à vocação do homem assim no tocante ao problema “homem x máquina”.


“Contatos imediatos (…)” lembra o “mistério” do Triângulo das Bermudas ou do Diabo, excitando sentimentos e emoções corroboradas pela grandiosidade de suas cenas e beleza do seu colorido e do seu som.

Comentário: Está em voga o filme “Contatos imediatos do Terceiro Grau” de Steven Spielberg, atraindo multidões de diversas capitais do Brasil e do mundo. As razões pelas quais este fascínio se exerce, são diversas, merecendo, sem dúvida, a atenção dos estudiosos. Eis por que abaixo dedicaremos alguma reflexões à referida película.

O enredo do filme

A película abre-se no deserto de Sonoro (México), onde alguns exploradores militares examinam aviões lá abandonados em 1945, tendo desaparecido os respectivos pilotos.

A seguir, em Municie (Estados de Indiana, U.S.A.) aparece um menino de quatro anos de idade, chamado Barry que percebe a presença de fenômenos estranhos em sua casa e nos arredores: luminosidade, ventanias, arremessos de utensílios domésticos, abalos de móveis, etc. O seu pai Roy é eletricista; enviam-no a examinar as instalações elétricas de Wyoming, onde falta luz em consequência de desabamento de cabnos. Roy dirige-se ao local, mas em viagem é acometido pelo estranho fenômeno de luminosidade, ventanias, ruído de motores, pânico em torno de si… Tais fatos preocupam Roy, que começa a ter a intuição de um bloco de rocha, em forma de torre, que para ele deve ter alguma significação. Desenha e talha tal bloco, levado pela percepção (telepática? Extra-sensorial?) do mesmo. Um belo dia, a televisão dá notícia de derramamento de gás venenoso na região de Wyoming, onde existe a famosa “Torre do Diabo” (bloco maciço de rocha). Roy para lá se dirige com a sua esposa… O menino Barry desaparecera, arrebatado pela onda dos fenômenos estranhos (…).

O Governo norte-americano, na região da Torre do Diabo, construíra uma enorme estação receptora dos discos voadores e de seus tripulantes, cuja presença nas imediações da terra fora captada por técnicos. Queria estabelecer contatos com tais seres extraterrestres mediante sinais musicais, que o engenheiro francês Lacombe estipulara reproduzindo melodias indianas. Todavia as autoridades militares desejavam afastar o povo da referida região; por isto é que anunciavam envenenamento da atmosfera local. Roy, porém, e sua esposa, juntamente com numerosos populares, acorriam à Torre do Diabo, cujo acesso era severamente vedado. Enfrentando todas as ameaças, Roy prova que o ar não está infeccionado no lugar (tira a máscara anti-gás) e decididamente põe-se a galgar a montanha “Torre do Diabo” com sua esposa. Chegando ao cume, tem a visão de bela estação espacial, onde os engenheiros se preparavam para recepcionar uma nave espacial prestes a aterrissar. Esta desceu realmente ao solo; dela desembarcaram pilotos e oficiais desaparecidos desde decênios (haviam sido levados por discos voadores) assim como o menino Barry; o contato mediante sinais musicais e luminosos foi efetuado… Em consequência do bom relacionamento travado, embarcaram na nave espacial diversos homens, inclusive o eletricista Roy…

Assim se termina o enredo, que, em última instância, parece significar que, embora os discos voadores sejam à primeira vista terrificantes nada há de se temer da parte de seus tripulantes; haveria mesmo possibilidade de entendimento amigáveis entres seres terrestres e extraterrestres.

O filme, de modo geral, é impressionante tanto pelo seu enredo original como pela riqueza de suas cores e seus sons. A menção da “Torre do Diabo” contribui para avivar, talvez subconscientemente, os sentimentos do público já despertados por filmes como “O Exorcista”, “A Profecia” e outros. Além disto, pode-se observar uma alusão ao Triângulo das Bermudas tanto pela referência a Fort Lauderdale como pelo desaparecimento (e reaparecimento) de oficiais da Marinha e da Aeronáutica, que assinalam o início e o fim do filme. Sabe-se que na região do Caribe, também chamada “Mar do Diabo” e “Triângulo da Morte” têm ocorrido graves desastres de aviação e de navegação, não se encontrando vestígio dos tripulantes e passageiros acidentados. O pânico que tais desastres têm suscitado no público, leva alguns estudiosos a supor que as pessoas assim desaparecidas hajam sido raptadas por habitantes de outros planetas em excursões à terra; cf. PR 224/1978, pp. 335-347.

Perguntamo-nos: que dizer a respeito de tais preocupações?

2. Habitantes de outros planetas

A hipótese de existirem habitantes em outros planetas e, por conseguinte, naves espaciais fabricadas pelos mesmos não entra em choque com a mensagem do Cristianismo. A rigor, Deus pode ter criado seres inteligentes adaptados às condições de vida de outras regiões do universo o primeiro pensador cristão que tenha formulado esta hipótese, data do século XV: é o Cardeal Nicolau de Cue na sua obra “De docta ignorantia” (1440); afirmava (na sua linguagem imprecisa) não haver uma estrela da qual estejamos autorizados a excluir a existência de seres humanos, por muito diferentes que sejam de nós. Foi, porém, no século XIX e no século XX que tal tese tomou vulto entre os teólogos: dizem alguns que é conveniente a existência de seres inteligentes esparsos pelos outros sistemas solares, pois tais criaturas prestariam homenagem ao Criador em nome do enorme número de estrelas e planetas que são incapazes de reconhecer e glorificar o Criador.

Caso alguém admita a existência de homens extraterrestres (hipótese esta que só a ciência pode elucidar, pois a fé não se pronuncia a respeito), restam abertas algumas questões para as quais não temos resposta: esses homens terão sido chamados à filiação divina como nós, habitantes da terra? Terão sido submetidos a uma prova original? Haverão dito Sim ou Não ao Criador? Em caso de Não, terão sido redimidos como nós fomos resgatados pelo sangue do Filho de Deus? Todas estas indagações (que nos levam longe no plano das hipóteses) ficam fora do alcance da Revelação que Deus nos fez; por conseguinte, perderia tempo quem lhes quisesse dar resposta. Em qualquer hipótese, porém, deveremos reconhecer que

– os hipotéticos habitantes de outros planetas são criaturas do mesmo Deus que nos fez, pois não há senão um Deus, soberano Senhor de tudo o que existe;

– tais homens devem ter congênita a mesma lei natural que trazemos nós,… lei cujo preceito básico é: “Pratica o bem, evita o mal”. Esta norma fundamental se desdobra em outras: “Não mates”, “Não roubes”, “Respeita pai e mãe”, etc.

Todavia quanto ao tipo físico, quanto ao grau de inteligência e cultura, e quanto à índole moral de tais criaturas, nada em absoluto podemos afirmar de seguro. É a ciência que toca dizer a primeira palavra a respeito, logo que tenha algum fundamento para tanto.

3. Seres desencarnados e reencarnados?

Em parte, o interesse do público pela temática dos discos voadores é alimentado por correntes espíritas, que identificam os seres extraterrestres com espíritos que, tendo vivido na terra, se desencarnaram e foram reencarnar-se em outros mundos. Aparecendo a nós, esses irmãos estariam procurando ajudar-nos. Como expressão desta tese, existem, entre outros, os livros de Chico Xavier, tidos como resultado das “revelações” de Ramatis. – Na verdade, esta posição é arbitrária ou destituída de fundamento. A hipótese da reencarnação carece de provas em seu favor; os casos de “regressão à vida anterior” e os fenômenos psicológicos geralmente aduzidos em prol da reencarnação, são suficientemente explicados pela parapsicologia como expressões do psíquico do paciente influenciado por fatores da própria vida terrestre. Aliás, quem lê a bibliografia “psicografada ” atribuída a habitantes de Marte, encontra aí a expressão a imaginação criativa e, às vezes, contraditória dos próprios médiuns.

Quanto ao Triângulo das Bermudas ou do Diabo, os estudiosos e cientistas não veem necessidade de recorrer ao Além para explicar os desastres marítimos e aéreos nele ocorridos; a inclemência do mar, dos ventos e da atmosfera, assim como a imperícia dos navegantes são suficientes para elucidar os misteriosos casos. Apesar disto, o público em geral se impressiona com as explicações fantasistas que têm sido forjadas para o caso, pois, como demonstra a psicologia, existe em todo homem o gosto do sensacional e até mesmo… do trágico. Cf. PR 224/1978, pp. 346s.

4. Os livros de Erich von Däniken (…)

A opinião pública está motivada para debater filmes como “Contatos Imediatos…” também por causa das obras, muito divulgadas, de Erich von Däniken: “Eram os deuses astronautas?”, “De volta às estrelas”, “Aparições”… Ora é de conhecimento público que Erich von Däniken não é um cientista, mas um viajante que colecionou dados arqueológicos e construiu sobre eles uma série de hipóteses fantasistas; estas incluem discos voadores e comunicações com seres extra-terrestres de alta inteligência. Todavia Erich von Däniken nem sempre foi honesto imaginou e falsificou documentos para fundamentar suas teses, e por isto foi processado em tribunais, tendo tido, em consequência, que pagar elevadas multas. Veja-se a revista “Realidade”, outubro 1973, pp. 92-95 e PR 210/1977, pp. 256-268.

O filme “Contatos Imediatos…” talvez faça eco antitético à tese de E. von Däniken no seu livro “Eram os deuses astronautas?”. Com efeito, na película os cinco sons que servem à comunicação entre os homens da terra e os do espaço, são os mesmos da melodia dos indianos que aparecem a certa altura do enredo… Ora os astronautas que respondem a tais sons, evidentemente não são deuses, mas são homens. Steven Spielberg houve por bem frisar, no seu enredo, que os astronautas nada têm de transcendental ou místico.

5. Conclusão

Refletindo sobre o filme “Contatos Imediatos…”, verifica-se que é rico em recursos técnicos, coloridos e sons; o mesmo, porém, não se pode dizer no tocante à sua mensagem. Qual seria esta ? – Cremos que poderia ser entendida como tentativa de desmitificar o tema “habitantes de outros planetas”, mostrando que estes nada têm de transcendental ou místico; ao contrário, são criaturas capazes de entrar em comunicação amigável com os habitantes da terra, a tal ponto que os homens telúricos poderão viajar e conviver com eles.

O filme em foco tem sido comparado a “2.001. Odisséia no espaço”, que fez grande sucesso. Cremos, porém, que esta outra película é portadora de mensagem muito mais expressiva e importante do que a de “Contatos Imediatos (…)”. Sim: “Odisséia” (…), propõe a Divindade presente ao homem desde os albores da história até o momento da morte de cada um, servindo-se para tanto de um monólito negro, que atrai e fascina o homem ao mesmo tempo que lhe impõe reverência. Mais: “Odisséia” apresenta bem o problema da luta da máquina contra o homem, luta na qual os robôs tentam superar o seu próprio artífice humano.

Todavia “Contatos Imediatos (…)” vem obtendo grande êxito, porque de algum modo, fala do desconhecido e do misterioso. Ora todos nós fomos feitos para algo de maior do que aquilo que vemos e conhecemos fomos feitos para o Infinito, o Absoluto ou Deus, de tal maneira que tudo o que nos fala de mistério toca de perto a nossa sensibilidade religiosa ou mística. Assim “Contatos imediatos (…)” pode ser tido como mais um dos filmes contemporâneos que indiretamente despertam o senso religioso ou místico existente em todo homem.

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, Osb
Nº 225, Ano 1978, p. 399

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