Manchetes

Menu

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Sob a aparente fantasia: poderosa sabedoria, síntese do universo

Ambulatório da catedral de Amiens, Foto David Iliff License CC-BY-SA 3 0

Ambulatório da catedral de Amiens.
Foto: David Iliff License CC-BY-SA 3 0

A nossa época, que se desembaraçou dos últimos restos de preconceitos clássicos, e na qual a influência dos dogmas da antiguidade é já nula, está em melhor posição do que qualquer outra para penetrar a arte da Idade Média.
Não passaria hoje pela cabeça de ninguém indignar-se com os camelos verdes do Psautier de Saint-Louis (Saltério de São Luís), e os artistas modernos fizeram-nos compreender que, para dar uma impressão de harmonia, a obra de arte deve ter em conta a geometria, e a decoração submeter-se à arquitetura.


Podemos redescobrir a arte medieval mais facilmente do que a literatura do mesmo tempo, pois podemos desfrutá-la diretamente.
Aprendemos a percorrer pedra por pedra, nas nossas catedrais e nos nossos museus, os seus vestígios dispersos pela Europa.
Os progressos da técnica fotográfica permitem-nos dar a conhecer as maravilhas das miniaturas insertas nos manuscritos, que até aqui só alguns iniciados podiam apreciar.
Chega-se a restituir mesmo as suas cores, com rara fidelidade, o que se pode confirmar nas admiráveis publicações da revista Verve, as das Éditions du Chêne ou de Cluny, etc.
O que sobressai mais nitidamente na arte medieval é o seu caráter sintético.
Criações, cenas, personagens, monumentos, parecem ter surgido de um só jato, tal é o seu frêmito de vida, tão forte a expressão do sentimento ou da ação que pretendem traduzir.

Iluminura representando São Pedro e São Paulo recebendo as almas dos monges na porta do Céu, Plimpton MS 040A, f1

Iluminura representando São Pedro e São Paulo recebendo as almas dos monges na porta do Céu, Plimpton MS 040A, f1

Toda a obra, nessa época, é à sua maneira uma Somme — unidade poderosa, mas na qual, sob a aparente fantasia, entram em jogo uma multiplicidade de elementos sabiamente subordinados uns aos outros.
A sua força provém, antes do mais, da ordem que presidiu à sua realização. A arte, mais do que o gênio, é então a recompensa de uma longa paciência.
Contrariamente ao que poderia fazer crer a fantasia que parece presidir às suas soluções, o artista está longe de ser livre, obedece a obrigações de ordem exterior e de ordem técnica que regem, ponto por ponto, as etapas da sua obra.
A Idade Média ignora a arte pela arte, e na época a utilidade domina todas as criações.
É dessa utilidade, aliás, que as obras tiram a sua principal beleza, consistindo numa perfeita harmonia entre o objeto e o fim para o qual foi concebido.

Capela do Colégio Universitário de Exeter, Inglaterra

Capela do Colégio Universitário de Exeter, Inglaterra

Neste sentido, os objetos mais comuns nessa época aparecem-nos agora revestidos de uma autêntica beleza: um jarro, um caldeiro, uma taça, aos quais damos hoje honras de museu, as mais das vezes não possuem outro mérito senão o dessa perfeita adaptação às necessidades para as quais existem.
Noutro plano, o artista medieval preocupava-se acima de tudo com a razão de ser das suas criações.
Uma igreja é um local de oração, e se a arquitetura das nossas catedrais variou de acordo com as épocas e com as províncias, é porque estava estreitamente ligada às necessidades do culto local.
Não há uma capela, um vitral que tenham sido colocados sem motivo ou acrescentados por pura fantasia.

(Autor: Régine Pernoud, “Lumière du Moyen Âge”, Bernard Grasset Éditeur, Paris, 1944)

Por: Luis Dufaur

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Slide

Google+ Followers

Oração de São Francisco


Oração de São Francisco de Assis Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor; Onde houver ofensa, que eu leve o perdão; Onde houver discórdia, que eu leve a união; Onde houver dúvida, que eu leve a fé; Onde houver erro, que eu leve a verdade; Onde houver desespero, que eu leve a esperança; Onde houver tristeza, que eu leve a alegria; Onde houver trevas, que eu leve a luz. Consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois, é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna. Amém