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Lápide de 1.400 anos fala da fé incipiente na Imaculada Conceição

 

Lápide funerária glorifica Imaculada Conceição há 1.400 anos. Nitzana National Park.Credit David Palmach
Lápide funerária glorifica Imaculada Conceição há 1.400 anos.
Nitzana National Park.Credit: David Palmach




































 No deserto de Negev, em Israel perto da fronteira com o Egito, arqueólogos descobriram uma lápide bizantina com a inscrição “Abençoada Maria, que viveu uma vida imaculada” proveniente do túmulo de uma mulher que habitou na área de Nitzana há 1.400 anos.

A descoberta se juntou a outras feitas em escavações em túmulos da região que pertenceram a cristãos e foram enterrados em igrejas locais e cemitérios. Foi noticiada pelo jornal israelense “Haaretz”.

A inscrição está em grego antigo do final do período bizantino e inclui a data da morte da piedosa mulher: 9 de fevereiro.

Ela é mais uma das demonstração histórica da veneração cristã a Nossa Senhora, enfatizando especialmente o fato de carecer de mancha do pecado, que nos leva à ideia de sua Imaculada Conceição. Cfr. Aleteia

A profissão de fé na vida imaculada da Virgem em tão remotos tempos e em local para nós tão afastado não é desprovida de importância.

Quando a Igreja vai proclamar um dogma solene, como é o da Imaculada Conceição, e ainda mais, como foi neste caso, uma doutrina de Fé que está contida nas Sagradas Escrituras, mas não é patentemente afirmada, a Igreja pondera com sabedoria diversos fatores.

Um deles, e dos mais importantes, é analisar se a doutrina que vai ser proclamada dogmática foi professada sempre pelos fiéis – ou por muito tempo continuado, qualquer coisa como 400 anos ininterruptos segundo bons Doutores.

Uma doutrina nova, adventícia, passageira, defendida com interrupções não está em condições de ser proclamada dogma pelo Magistério Pontifício.

A polêmica pela infalibilidade da Imaculada Conceição demorou séculos, havendo até bons doutores que não a apoiavam. Quando as últimas hesitações foram dissolvidas e o grande Pio IX proclamou o dogma em 8 de dezembro de 1854:

O Beato Papa Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição, detalhe. Francesco Podesti, Sala da Imaculada, Museus Vaticanos
O Beato Papa Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição, detalhe.
Francesco Podesti, Sala da Imaculada, Museus Vaticanos

“para honra da Santa e Indivisa Trindade, para glória e adorno da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da Fé Católica e para a propagação da Religião Católica, com a autoridade de Jesus Cristo, Senhor Nosso, dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e Nossa, declaramos, promulgamos e definimos que a Bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, foi preservada de toda mancha de pecado original, por singular graça e privilégio do Deus Onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador dos homens, e que esta doutrina está contida na Revelação Divina, devendo, por conseguinte, ser crida firme e inabalavelmente por todos os fiéis”.


Bombeiro deposita coroa de flores na coluna da Imaculada em Roma
Bombeiro deposita coroa de flores na coluna da Imaculada em Roma
Para esta solene definição a Igreja havia ponderado se essa verdade era professada pelo universo dos fiéis antes mesmo da proclamação. Assim investigou e concluiu de modo positivo.

Agora o achado da pedra funerária em questão vem a confirmar a prudência e o acerto do Magistério Pontifício: havia 1.400 anos que essa verdade era professada embora em termos incipientes! Mais uma prova que a Igreja tinha razão!

A pedra do século VI ou início do VII d.C., foi encontrada pelos inspetores da Nature and Parks Authority que limpavam o Parque Nacional de Nitzana.

David Palmach, diretor do Nitzana Educational Center, identificou a inscrição, fotografou-a e relatou-a aos representantes da Autoridade de Antiguidades de Israel, órgão máximo do país em matéria arqueológica.

A Dra. Leah Di Segni da Universidade Hebraica de Jerusalém, especialista em inscrições gregas antigas, decifrou a escrita.

A lápide de 25 centímetros de diâmetro se junta a outras de cristãos enterrados em igrejas e cemitérios fora de Nitzana, e tiradas a luz por pesquisadores da Universidade Ben Gurion do Negev.

Ruínas da cidade de Nitzana. Foto National Park
Ruínas da cidade de Nitzana. Foto: Nitzana National Park
Nitzana é um local chave para estudar a transição entre os períodos bizantino e islâmico inicial, disse o Dra. Tali Erickson-Gini da autoridade em antiguidades.

“Durante os séculos V e VI EC, Nitzana teve aldeias e assentamentos. Entre outras coisas, uma fortaleza militar, além de igrejas, um mosteiro e uma pousada à beira da estrada que servia aos peregrinos que iam ao mosteiro Santa Catarina, no Monte Sinai”, disse ela.

De acordo com Erickson-Gini, Nitzana foi habitada por cerca de 1.300 anos antes de ser abandonada no século X. O local foi esquecido, mas redescoberto na década de 1930.


Eran Doron, chefe do Conselho Regional de Ramat Negev, disse que “Acredita-se que a inscrição pertença a uma mulher de status no período bizantino, quando Nitzana era uma região florescente”


Vídeo: Lápide de 1.400 anos aponta para a Imaculada Conceição
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